sábado, 2 de junho de 2012

Cartas para Ava II

sábado, 2 de junho de 2012 0






Ava foi apanhar os cocos curioso de qual seria o sonho da menina e também ficou formulando milhares de possibilidades para tudo o que estava acontecendo que tudo aquilo poderia ser uma armadilha dos militares, eles estavam avançando em breve iriam se encontrar para falar sobre um sistema de comunicação via satélite tinha sido muito complicado por ele em órbita mas a corporação estava crescendo e eles tinham conseguido usando um sistema semelhante ao utilizado pelas empresas telefônicas eles se esforçavam ao máximo para se manter em sigilo, mas nunca se podia saber em que dia as informações seriam interceptadas, a verdade é que tinham vários equipamentos roubados e coisas ilegais, além deterem acesso a informações sigilosas isso deixava Ava nervoso e se seus amigos estivessem em perigo e se todos ali fossem parte de um plano para desarticular o seu grupo, pensou isso em cima de um coqueiro, tinha muita habilidade para subir em coqueiros as vezes eles eram a única fonte de agua doce, e já tinha passado por situações onde a agua potável da embarcação acabou e foi preciso parar e apanhar quanto fosse possível de cocos para diminuir a sede da população ali de cima ele viu a belíssima paisagem e pensou na descrição de seus amigos, novamente pensou que não poderia ser vitima da sua falta de fé, precisava ter fé e se fosse um teste de Deus, e se fosse um teste para sua fé, estava confuso e ao mesmo tempo sentia um tipo de paz, viu que a menina contava o sonho pra Marujo fazendo gestos largos, terminou de tirar o coco e foi encontrar Jandira, e pra surpresa dele os frangos estavam assados e a comida na mesa.

-O senhor é bom mesmo pra pegar fruta, espie esse frango aqui pode levar pra sua janta e agora se o senhor quiser almoça aqui.

- Não precisa muito obrigada, tenho bastante comida, mas aceito o convite, vou dar um mergulho no rio pra tirar o suor.

- Chame os dois lá na frente se deixar eles ficam lá inventando estória de visagem o dia todo.

- Ela estuda?

- Ainda não, vai começar ano que vem, mas já to ensinando as letras pra ela.

Ava balançou positivamente a cabeça e foi lá para a ponte tinha roupa limpa na embarcação, quando passou pela rede de pesca pensou que gostaria de pescarcheirou a rede e percebeu que não era usada a muito tempo quando chegou lá fora presenciou uma discussão sobre o que acontecia se não desse tabaco pra matintaperera.

- Ela vem te assombrar de manhã! – Dizia Marujo

- Não vôzinho ela te transforma em uma mula sem cabeça.

- Tu não sabe de nada tu nunca viste uma Matinta na tua vida.

- Desculpe mas Jandira tá chamando vocês pra almoçar.

- Meu vôzinho já não tálembrando direito das visagens

- Como é seu nome?

- Mariinha

- Olha Mariinha seu avô tá certo, se não der tabaco pra matinta ela vem buscar nooutro dia.

- Ela é teimosa igual um jabuti.

- Um bora é almoçar que eu tô com fome.

- Ahhhh! Agora tá com fome!

E numa grande caçoada seguiram pra dentro, Ava deu um mergulho, trocou de roupa e foi comer, Jandira fez uma prece e eles comiam em silêncio quando Ava perguntou:

- Mariinha o sonho que você tem? Me Desculpe mas você pode contar?

Jandira que respondeu – Não é nada demais é um sonho besta.

- Não é besta não, é horrível! eu sonho que eu estou numa ponte alta sozinha no meio do rio ai tudo começa a tremer e de repente uma onda enormissima vem e cobre tudo e eu começo a me afogar e ai eu acordo.

- Ela tem esse sonho desde que ela ia seafogando no rio.

A menina abaixou os olhos e ficou um pouco triste mastigando pensativa um pedaço de frango, Ava resolveu deixa-la em paz e mudou de assunto.

- Então as tartarugas pararam de desovar aqui? Que pena, são animaisjá bem difíceis de encontrar.

-Nem fale faz tempo que a gente não come ovo de tartaruga ! – falou Jandira com a cara no prato- era uma festa!

Ava riu ao mesmo tempo que ficou horrorizado pensou que talvez por ali eles não soubessem o que é extinção, achou melhor explicar depois, sentia-se na obrigação de fazer alguma coisa, ele na verdade nunca havia se ligado realmente em questões ambientais mas as ultimas narrativas lhe despertaram umsentimento de que todo o aparato bélico e tecnológico seriam pouco úteis se realmente viesse a acontecer alguma tragédia ambiental, as tartarugas não iriam resolver nada mas era alguma coisa que ele realmente sentia vontade de fazer.

- Vocês se incomodam se eu fizer o chiqueiro e o galinheiro e limpar a praia? É que eu gosto muito de praia e essa daqui está tão suja, eu tenho alguma madeira e posso fazer isso, se vocês não se incomodam claro.

- Eu posso ajudar! – se ofereceu Mariinha, eu digo cuchi! E os porco vem e eu digo tipitipitie vem as galinha e eu sou um pouco grande dô conta de bater prego.

Todo mundo riu e Jandira disse que ele poderia sim e que todos iam ajudar por que aquilo já fazia tempo que tinha que ser feito, e assim ficaram combinados, depois do almoço Ava fumou um cigarro de palha com Marujo, e ouviu umas historias de assombrações de Mariinha comeu pupunha, tomou café foi tomado de uma paz imensa vendo Jandiralavar roupa na beira do rio, se despediu de Marujo e Mariinha e foi na direção de Jandira ela tinha um sorrisinho no canto da boca e parecia estar imersa em um pensamento bom.

- Já estou indo! Disse parado na frente dela que estava agachada olhando seus seios no decote e o vestido molhado grudado no corpo.

-É cedo!

-É hora.

-Quando vem de novo?

- Quando a senhora acha bom?

- Amanhã de manhã eu não vou na feira, se o senhor quiser, aqui acordamo bem cedinho.

- Eu venho, até.

- Deus acompanhe

-Amém disse já dentro do barco.

Era um barco pequeno que ele tinha comprado de um pescador logo que chegou na região, um barco de pesca com cobertura e um bom motor com uma capacidade para 10 passageiros

Ava chegou e foi ler seus e-mail´s a sensação de medo tinha diminuído e ele estava cheio de uma curiosidade infantil, mas Ava era predominantemente racional e gostava de digerir pequenos pedaços de informação de cada vez e mais que tudo gostava de estar tranquilo, sentou na frente do computador e leu a carta do capitão Isaias um capitão comandante fuzileiro naval aposentado que vivia dentro de um submarino S11 da classe gato, que foi desviado de uma missão para ser incorporado a guarda estava ancorado no meio de um arquipélago no oceano pacífico, próximo dali em uma ilha uma equipe trabalhava dia e noite para conseguir por o satélite em órbita o mais breve, qualquer incidente fugiriam de submarino, Isaias era um sujeito engraçado, um homem negro e corpulento com uma voz grossa e um coração mole, tinha quase dois metros de altura mas nem um centímetro de agressividade, tinha mulher e filhos mas como a maior parte dos 12 vivia sozinho, era uma decisão coletiva de que era preciso aprender a estar consigo mesmo sem dificuldades, ele visitava a família todos os meses durante uma semana mas nos últimos meses por conta da necessidade de lançarem o satélite tinha decidido ir coordenar a equipe que estava encarregada disso, cinco homens em uma pequena ilha caribenha seu e-mail dizia o seguinte.

Almirante,

Que a paz esteja consigo, por aqui as coisas caminham bem, mas sinto falta de ir até minha casa, por isso devo fazê-lo mais breve do que o planejado, principalmente por que acredito que esta distancia esta me afetando, e se você julgar melhor depois de ler este e-mail posso passar meu posto para alguém em melhores condições, todas as noites nos reunimos para jantar e falar do andamento dos trabalhos com o satélite que será lançado no tempo previsto, e tudo aqui tem ocorrido sem incidentes, mas esta noite foi diferente, tenho dormido no submarino, e como sempre faço depois de certa hora vim me recolher, quando cheguei aqui tive uma surpresa, uma mulher estava aqui dentro eu me assustei muito ela me disse que não tivesse medo que vinha em paz e pediu algo para beber, eu lhe disse que por favor saísse que não poderia lhe dar nada ali e que podíamos conversar lá fora, ela disse que precisava ficar, eu disse que ela precisava sair, de repente o submarino começou a se mover, tentei correr e notei que estava paralisado, cai no chão com um movimento brusco e ela rapidamente injetou-me um liquido, foi estranho por que alguma força invisível me impedia de me mover. Adormeci e tive um sonho eu estava numa espécie de cápsula fechada e não conseguia ver nada do lado de fora, tinha apenas um óculos escuro ao meu alcance e como ele brilhava eu o coloquei, assim que o coloquei sai da capsula e estava em uma sala de jantar com outras pessoas, elas estavam sentadas mas não havia comida, apenas pílulas e todas tomaram as pílulas e me ofereceram, eu aceitei, uma delas era a mulher do submarino, tentei falar com ela e não consegui, ela me pegou pela mão e me levou até uma sala onde havia uma foto grande de todos nós com o Almirante no centro a foto era muito grande e depois percebi que ela era de tamanho natural nós é que tínhamos o tamanho de crianças, ela me pegou pela mão e me levou pra fora da casa, do lado de fora tudo levitava, nós mesmos começamos a levitar, vi que a casa era como a folha de uma grande árvore suspensa e tudo estava suspenso preso a imensas estruturas metálicas que partiam do chão, não havia flores, nem arvores, nem animais, tudo era metálico e branco o céu era de uma cor estranha e tive a impressão de ver dois sóis, depois reparei que um era um planeta, brilhava menos mas era enorme estava muito próximo comecei a ter a estranha sensação de que estávamos em outro planeta, ela virou meu braço e me mostrou um botão, eu apertei o botão que estava em minha roupa e voltei pra dentro da capsula, na tentativa de abri-la acordei, estava caído no chão, não havia nada, nada, que indique que não tive apenas um estranho surto, o problema é que o submarino estava muito afastado do local onde fica normalmente. Espero que compreenda que na próxima semana me ausentarei das tarefas e irei ver minha família, os rapazes não viram ninguém, penso que devemos nos reunir logo depois do lançamento do satélite. Aguardo suas orientações, fique em paz.

O e-mail seguinte era do padre Cândido:

Meu Filho,

Esta noite tive uma visão que sinto que devo compartilhar com você, eu estava sentado em uma pedra ao meu redor havia apenas água por todos os lados, eu estava sozinho, era como se eu estivesse no meio do oceano só que ele estava cercado de escombros havia restos de milhares de coisas de tudo, destroços apenas destroços como se fosse o dia depois do Apocalipse e do mar emergiram imensas máquinas e juntas elas formavam uma imensa plataforma e de dentro delas saia você e nossos companheiros e nos abraçávamos e você me dizia que iríamos começar a reconstrução, foi uma visão, eu sei, aguardo ansioso nosso encontro.

Mantenha sua fé.

Era o menor e-mail e o mais estranho Ava estava impaciente, o ultimo e-mail era do Capitão Tenente Kurom ainda na ativa , um nissei com formação em arquitetura e engenharia nuclear, que vivia normalmente com sua família e cuidava de inteirar-se das coisas que aconteciam dentro das forças armadas tendo em vista que trabalhava no gabinete do ministro.

Prezado Almirante,

Esta noite tive uma estranha visita de um homem trajando uma roupa estranha como se fosse uma roupa de plástico, era anão eu suponho, mesmo que não tivesse as características de um, parecia fascinado ao me ver, me beijou a mão e me pediu água, disse que precisávamos correr contra o tempo, antes de sair me agradeceu com imensa efusividade, disse se chamava Astor e que não podia falar muito e que em breve eu entenderia muita coisa, mas dizia que eu precisava me lembrar e que essa noite eu lembraria me deu uma imagem minha feita de metal como um pequeno santo só que na imagem eu tenho o sol nas mãos.

Quando dormi sonhei com Astor ele me mostrava a miniatura de uma construção muito estranha que eu imagino ser uma cidade, construída dentro de uma tubulação, embaixo da água, tem sistema de captação de energia solar e de energia nuclear, chamou-se a atenção o imenso reservatório, sendo construída em cima de uma jazida de petróleo, não entendi bem, mas parece que essa coisa se movimenta até a superfície, é como uma aranha gigante feita de tubulações, que tem em cada uma de suas patas uma plataforma, estou tentando desenhar o que vi, estou-lhe enviando a foto da imagem que recebi não sei que tipo de material é esse muito resistente, ele brilha no escuro e é impressionante como é feito de detalhes tão mínimos, esculpidos com tantos detalhes. Segue no anexo. Aguardo noticias e orientações.

Ava jogou-se pra traz na cadeira, lembrou de um poema de Fernando Pessoa e desejou um cigarro.

 
Ava e o Apocalipse. Design by Pocket - DMP3