
O terceiro e-mail era do Contra Almirante Agenor que era muito amigo de Ava e esteve com ele quase todo tempo que tinham servido, foi com ele que se iniciou a guarda do Apocalipse num dia de grande tribulação onde conseguiram desviar o barco de uma estranha ocorrência no Atlântico quando se dirigiam para Fort Lauderdale para um treinamento internacional, estavam em um Navio Escola e acabaram entrando na região do triangulo das bermudas após uma falha nos equipamentos de navegação que desviou o barco da rota segura, Ava estava na cabine junto com Agenor e conversavam com o comandante quando tudo aconteceu, o barco começou a girar como se estivesse num redemoinho e os rádios ligaram e começaram a transmitir sons estranhos quando Ava foi ao convés ver o que acontecia constatou que o barco não estava em cima da água e sim flutuando , ele ia correr quando Agenor apareceu, eles se olharam e viram as nuvens se abrirem em cima do barco, a impressão de que um anjo descia e o mar serenou o barco lentamente voltou a agua e os equipamentos voltaram a funcionar, foi tudo muito rápido e apenas os dois viram isso, o que lhes tornou cúmplices de alucinações.
Tinha apenas doi anos a mais que Ava, cresceu órfão de pai e mãe tendo rolado por diversas instituições, foi criado pela vida, não tinha histórico de formação religiosa, mas era chamado pelos amigos de bom cristão, tendo em vista ser sempre tranquilo e parcimonioso e principalmente por ser o único capaz de demover Ava de idéias excessivamente absurdas,
Querido Amigo ,
Que a lucidez não nos cegue, escrevo-lhe para relatar estranho ocorrido nesta noite, estava em meu navio entretido com um grupo de golfinhos quando ouvi um estranho barulho no tombadilho, peguei uma arma e fui até lá, quando cheguei vi um rapaz muito pálido em estranhas e pesadas roupas ele parecia perdido quando lhe apontei a arma me disse “ Que sempre experimentemos a paz, comandante” abaixei a arma e respondi mas que nunca temamos a batalha,perguntei da parte de quem ele vinha Disse que vinha em paz e que me contaria umas coisas mas que antes precisava de um café quente, servi-lhe um café, ele tirou o pesado casaco e parecia feliz, depois do café quando eu ia começar a lhe inquirir não sei explicar, penso que adormeci, tive um sonho eu sentia muito frio, muito frio, quando olhei ao redor estava num iglu, demorei um pouco pra acostumar a vista, estava tudo escuro lá dentro, o rapaz me chamava da porta, la fora estava um clima de fim de tarde, mas as pessoas estavam acordando e saindo de outros milhares de iglus espalhados, a sensação que eu tinha era de estar num estranho passado de cavernas, não havia luz, nem poste, nem energia elétrica , e todos vestiam e calçavam pêlos improvisados de animais, eles se dirigiam para uma fogueira pareciam todos tristes, um homem subiu num cubo de gelo e as pessoas começaram a se abraçar , ele disse cinco nomes e em seguida começaram a ser ouvidos gritos e lamentos, as pessoas mencionadas foram conduzidas até onde se lia o nome delas, uma fila se formou ao lado da fogueira com canecas, todos recebiam um pedaço de carne e um pouco de água quente, do lado da fogueira duas morças amarradas provavelmente para alimentar a população, a cena que se seguiu foi aterrorizante os cinco foram levados para uma especie de abatedouro,um deles tentou fugir e foi violentamente espancado por outros, em seguida foram todos esquartejados e aos poucos suas partes foram lançadas ao fogo, menos suas cabeças que foram colocadas em uma aterrorizande parede de gelo com milhares de cabeças congeladas, quando eu ia perguntar o que estava acontecendo acordei e novamente estava sozinho em meu navio, mas a xícara de café que servi ao estranho rapaz estava lá, creio que tive uma visão, escrevo-lhe para compartilhar esta impressão, acordei muito nervoso , como estão as coisas por ai? Gostaria de visita-lo dentro de um mês o que me diz?
Fraternas saudações
Agenor
Ava sentiu um arrepio, tomou um café estava excitado, curioso e animado, nunca tinha se sentido assim, alguma coisa estava acontecendo e ele enfim sabia que não estava vivendo um simples devaneio, estava confuso, nervoso mas precisava continuar lendo, não responderia ninguém até ter lido tudo e continuou, o e-mail seguinte era do brigadeiro João, que era um grande conhecedor da ciência de voar, tinha uma coleção de aeronaves de diferentes períodos que ninguém sabia de onde vinham, vivia no alto de uma fria montanha onde fazia experiências com plantas,aves e aeronaves
Comandante Ava,
Escrevo-lhe por que tenho medo, esta noite um homem velho apareceu-me aqui como fosse uma espécie de assombração,por pouco não o matei com o susto de sua presença me pediu algo para beber, parecia um velho conhecido, não sei como ele chegou até mim, como você sabe vivo num lugar muito alto e isolado e ele não parecia cansado, nem faminto, tampouco veio voando pois eu o teria detectado em meus aparelhos, apenas tinha sede, dei-lhe água e vinho, esperando que ele quebrasse o silencio, fiz lhe mil perguntas e para todas ele apenas me abanava a mão me dizendo que esperasse em pouco tempo adormeci e tive o mais terrível sonho, estava em uma cabana no alto de uma árvore, por cima dos galhos uma espécie de vila, onde muitas casas estavam, era estranho por que eu sabia que era a copa de uma grande árvore, mas embaixo tudo estava tomado pela água, cães ficavam de plantão em um patamar mais baixo meninos e cães faziam uma estranha pescaria de coisas e ossos, pescavam destroços e corpos de pessoas, atrás deles uma fila de pessoas que pegavam isso ou aquilo, enquanto tudo que parecia comida era enviado para uma plataforma onde um imenso fogão era comandado por algumas pessoas e vigiado por muitos cães,entrei em um barco com capacidade para uns 30 homens e fui levado por um caminho assustador, tudo estava afundando, as copas de arvores imensas eram apenas arbustos e neste barco tinham pequenas jaulas onde animais encontrados eram colocados esse barco tinha uma pá na frente como uma escavadeira que ia abrindo caminho entre corpos de pessoas e animais e entre destroços de toda a natureza, quando passavamos por uma arvore vimos um homem que parecia um zumbi, mal conseguia falar estava semi-morto, pensei que eles lhe salvariam mas apenas lhe jogaram algumas frutas e seguiram tentei falar e só então percebi que estava mudo e acordei, pra minha surpresa estava sozinho mas há indicios de que este homem esteve aqui alguma coisa está acontecendo, tenho medo, acredito que precisamos nos encontrar o mais breve possível, aproveito para lhe dizer que estou me correspondendo com uma mulher, devo sair daqui em breve para ir conhece-la pessoalmente, para ver se podemos incorpora-la a nossa nova formação, gostaria de visita-lo, aguardo coordenadas. Que a fé nunca nos cegue. Fique em paz.
BJC
Quando Ava acabou de ler o e-mail sentiu um medo repentino, começou a andar de um lado pro outro sua mente começou a funcionar a mil por hora ele começou a pensar milhões de coisas, não gostava de sentir medo.
Saiu pro trapiche, respirou olhou em volta, sentiu o vento e pensou que era tão boa a sensação de estar ali, sentiu-se vivo, repassou como sempre fazia as patentes militares, todas as honrarias e medalhas, pensou que soberana era a nação cujo deus é o senhor e foi ler a bíblia, leu todo o apocalipse e sentiu coragem, rezou pedindo pra Deus lhe conceder a missão!
- Eu quero saber! disse em voz alta.
Pela hora do almoço pegou o barco pequeno e foi navegar queria encontrar Jandira, navegou por um braço de rio do lado e do outro só se via a floresta passando, pequenos rios que formavam um arquipélago pensava lembrando da cartografia da área, dali de dentro tudo parecia um grande labirinto era pra seguir reto, ja tinha passado pela placa do sítio, era uma pequena ilha que tinha uma praia suja frequentada por porcos e galinhas, lamentou quando passou por lá, gostaria de ter uma pequena praia particular, o porto era longe da casa como a agua estava baixa ele aportou num tronco que separava o rio da escada do trapiche quando subiu viu um pequeno caminho suspenso no fim desse caminho uma casa alta de palafitas e um senhor sentado
O homem sentado na cadeira devia ter uns 100 anos, era possível notar que ele era cego por que não olhou para Ava, ficou procurando um som e ao ouvir seus passos se aproximando perguntou, vem da parte de quem? Ava falou que procurava Jandira, ela foi tirar turu disse o velho, Ava perguntou se podia esperar e perguntou o nome do homem que disse que podia chamar ele de marujo, Ava riu, Marujo lhe ofereceu um café, Ava não queria incomoda-lo e não aceitou, não se preocupe disse o homem vou pegar o meu e pego o seu, gosto de me sentir útil, trouxe um café gostoso que deixou Ava bem tranquilo e ele começou a olhar ao seu redor, era uma pequena ilha e ele reparava no coco dos porcos espalhados, disse que era uma pena que os porcos sujassem a praia.
Marujo lhe contou que antes dos porcos as tartarugas desovavam la naquela praia, mas os porcos eram um bom investimento e davam um bom dinheiro, e como era muito trabalhoso por ordem num chiqueiro era melhor criar os bichos soltos, Ava continuou lamentando mentalmente, queria saber mais de Marujo, perguntou se ele era parente de Jandira, sou tio-avô dela irmão da mãe dela.
-Ava reparou na casa pequena, nas grandes arvores espalhadas nas frutas estranhas, tudo aquilo lhe dava uma serenidade, era como experimentar uma coisa de novo, sentado naquele alpendre ele tinha uma sensação que não tinha com frequência de que estava no lugar certo de repente sua mente deu um giro e ele começou a visualizar a cena dos sonhos de seus colegas, queria saber que mais tinham pra contar e queria entender, mas precisava encontrar Jandira por que ela certamente era um elo e ele tinha tanta vontade de ve-la e de estar perto dela como uma tábua de lucidez num mar de loucura. Sentiu de novo o medo da paranóia e se houvesse uma conspiração contra ele e se tudo aquilo fosse uma farsa orquestrada para desestabiliza-lo, depois pensou que talvez aquilo fosse um remédio será que tinha enlouquecido, olhou em volta e teve medo de estar morto, começou a andar de um lado para o outro e quando já estava a um ponto de desespero ouviu um barulho no mato era Jandira.
Ele pensou como ela era tão bonita de qualquer jeito e a vontade de beija-la fez com que o sangue circulasse no seu corpo, ela sorria não parecia surpresa, usava um vestido velho e com alguns furos, era apertado e ele gostava de ver os seios dela quase pulando estava se sentindo tão vivo ,era uma sensação estranha de que ele tinha sobrevivido a séculos de sofrimentos e estava no paraíso, ele queria beija-la, ele queria te-la, ela vinha com uma lata cheia de minhocas curtas e gorduchas ainda vivas.
-Oi Jandira!
- O senhor por aqui tão de pressa!- disse sorrindo, limpando a mão na barra da saia e estendendo pra ele.
-Lembrei que tinha visto uns frangos nessa ilha e vim ver se não me venderia um - mentiu.
- Claro, se quiser posso preparar também, por que não come hoje aqui com nós, lhe dou uns frango e o senhor me ajuda apanhar umas fruta que tal?
- Muito bom! o que são essas larvas?
- Isso aqui é turu é muito bom esse bicho, tem gosto de pau velho, disse colocando um deles ainda vivo na boca e matando no dente!
Ava mesmo confuso que aquela não fosse a mesma mulher que tinha entrado em sua casa na noite anterior sentia-se tão a vontade perto dela e gostava dos seus gestos um pouco rudes.
-Quero experimentar! -disse pegando um e repetindo o que ela tinha feito - Tem gosto de madeira realmente, parece manga.
- É mais das vez eles tem o gosto da planta que ele deu, ele tá nas planta caida.
- E come assim mesmo?
-Só se o sujeito tiver num perrengue de mato, sem te com que se haver, esse é pra fazer farofa pro vô marujo! né Vô?
- Se eu tivesse dente agora eu ia achar era bom estalar uns desse, disse rindo banguela.
Ava tinha mil coisas para perguntar e fazia tanto tempo que nao estava com uma mulher afinal nao ia contar a noite anterior por que nao sabia se era sonho ou realidade, ela pediu pra ele pegar duas galinhas grandes e se possivel mata-las por que ela não gostava defazer isso, Ava pegou duas bem grandes e quebrou o pescoço de ambas.
A casa de jandira era muito pequena, tinha tres comodos, sala, quarto e cozinha, a sala era apenas um vão com uma imagem de nossa senhora do rosário no fundo uma rede de pesca pendurada no meio,pendendo da cumieira e um banco em cada parede, num canto uma rede e embaixo da rede uma mala antiga.
O comodo do meio estava trancado, e a cozinha era um vão sem paredes com um fogão a lenha, muitos paneiros empilhados, alguns cheios de manga, tudo tinha cheiro de manga e madeira molhada.
-O senhor é crente?
- Mais ou menos... não sou de nenhuma igreja mas sou um homem de fé! e a senhora?
- Eu acredito no sagrado coração de Maria.
- A senhora é católica?
-Não. venha cá, tá vendo aquela árvore ali que tem um cacho vermelho? é pupunha é dificil de apanhar por que é espinhenta tem uma escada mas não chega até o cacho e aquele ali já tá bom de comer, quando ele olhava envolta para fazer uma engenharia qualquer uma menina veio correndo na direção dele e passou direto para a barra da saia de jandira, devia ter uns 5 anos, estava assustada e parecia uma miniatura de Jandira
- Ai mamãe eu sonhei de novo, eu nao quero mais ter esse sonho, eu quero sonhar coisas bonitas.
-Tu rezou minha filha ?
- Ainda não, reza comigo.
- Agora vou fazer comida, peça pra o seu avô e eu ja disse pra não dormir de manhã.
- Mãe quem é esse homem perguntou baixinho.
Ava acenou pra menina, e ela virou a cara.
-É o meu pai mãe?
Jandira pegou ela pelo braço e foi puxando pela casa até onde estava marujo.
- Ai criança é confusão né.
- É sua filha?
-É, mas como o senhor ouviu não tem pai e vamos adiantar que eu to com fome, o senhor me ajude com a pupunha que eu vou fazer a comida.
Ava não sabia fazer muitas perguntas, era um homem intuitivo que gostava de ir descobrindo as coisas lentamente queria muito saber o sonho da menina,mas tinha tanto pra descobrir ali que achou melhor ir logo pegar a pupunha pegou o facão, amarrou numa vara comprida, subiu na escada e cortou o galho, tudo muito rápido, deixou Jandira muito satisfeita, agora o senhor poderia apanhar uns cocos ali mais pra frente naquele rumo daquela ponte tem um cocal e ali tem umas sacas, será que o senhor me faz esse favor?